Reforma sem sustos

Imagine que, por qualquer motivo, você precise fazer uma viagem de carro para uma cidade que não conhece, distante mais de 2.000km de onde mora e que para realizar esta viagem você tem duas alternativas.

Na primeira delas você simplesmente entra no carro e inicia sua jornada. Mesmo sabendo onde quer chegar, ficará exposto a diversas situações indesejadas como, adotar o caminho mais longo, com mais pedágios ou mais buracos na estrada, não encontrar hospedagem para pernoite quando necessário e precisar desviar do caminho para descansar, sofrer alguma pane no veículo, faltar dinheiro para pedágio, alimentação, hospedagem ou outra necessidade que venha surgir. Em resumo, será uma aventura, pois estará jogando basicamente com a sorte apesar de ser uma atividade simples, apenas uma viagem de carro.

Na segunda alternativa você planeja sua viagem, identifica os melhores caminhos (menos pedágio, estrada melhor conservada, menor percurso), planeja os trechos e identifica os locais de parada e pernoite, faz uma revisão básica no veículo, saca algum dinheiro para imprevistos, se organiza e aí sim inicia sua viagem.

Se lhe pedisse para escolher qual alternativa adotaria, me parece evidente que a segunda seria a escolha mais óbvia e de fato é. Mas então porque quando se trata de uma reforma existe uma tendência tão forte em se escolher a primeira alternativa? Apenas troque a viagem pela reforma, e a cidade por uma foto de revista ou coisa do tipo.

Quer evitar surpresas, gastos imprevistos e desnecessários e garantir que vai obter o resultado desejado? Planeje sua reforma.

Defina um objetivo e um valor para o orçamento. Sim, estipule um orçamento para que a solução a ser adotada para atender seu objetivo seja feita com base neste parâmetro. Imaginar que não definir um orçamento e “ir cuidando” dos gastos vai garantir um menor custo total é um erro fatal porque irá escolher entre o caro e o caríssimo, quando comparado com as possibilidades adequadas a sua necessidade, se claramente definida antecipadamente e orientadas por um profissional habilitado.

Elabore um projeto detalhado que atenda seu objetivo, sendo ele uma alteração estética ou funcional o importante é definir de maneira clara e o mais detalhada possível qual seu objetivo com a reforma.

Defina as etapas, o prazo e o momento adequado para reforma. Reforma de telhado e fachada devem evitar períodos de maior incidência de chuvas, por exemplo. Os horários permitidos para reforma, descarga de material e forma de retirada de entulho, podem impactar significativamente no prazo e custo de uma obra em um condomínio.

Não se esqueça da reserva financeira, afinal, imprevistos acontecem. Em se tratando de reforma, não são raros alguns imprevistos previsíveis, isto porque é esperado encontrar algum fator adicional principalmente em construções mais antigas como tubulações de chumbo, fios revestidos de pano e paredes autoportantes, o que aumentam as chances de durante a reforma apresentarem alguma necessidade de reparo ou ajuste do projeto. A maneira eficiente de reduzir significativamente o impacto negativo destes riscos é com uma vistoria técnica preliminar para identificar estes potenciais antes da reforma e uma pequena reserva financeira para custear essa eventual necessidade.

Com a reforma bem planejada e os cuidados acima, pode seguir sua viagem sem sustos. Aproveite bem o passeio e curta sua casa nova!

Artigo publicado na coluna do Notícias Vale do Itajaí: leia aqui

E-procurement na Construção Civil

e-procurement

E-procurement define um conceito de compras corporativas realizadas por meios eletrônicos, aspecto de importância diferencial que incorpora a utilização da web como dimensão de contato e aproximação de diversos agentes de compra e venda, automatização e redução de custos potenciais de transações, assim como expansão de acesso e reconhecimento de alternativas de escolha e seleção, reduzindo assimetrias de informação e custos operacionais aos envolvidos.

O e-procurement efetivamente aumenta a capacidade das empresas de encontrar produtos e serviços de alta qualidade forma rápida, nos locais onde precisa e com preços adequados as suas necessidades. As atividades da cadeia de fornecimento (Supply Chain) envolve uma série de tarefas integradas por processos desenhados para aumentar a produtividade através da troca eletrônica de dados entre as empresas.

O e-procurement atualmente é praticado de diferentes formas e condicionado ao tipo de mercado e negócio, além do formato da relação entre fornecedor e cliente. Todavia, a informação de reconhecimento de ganhos compartilhados, particularmente de preços e prazos para estes últimos, tem sido divulgada intensamente e indica ser um dos principais fatores de estímulo à adesão ao modelo.

Os sistemas de e-procurement utilizados atualmente, considerados referência, são:

  • buy-side: são aplicações de procurement baseadas em internet e administradas pela organização cliente;
  • sell-side: correspondem a aplicativos instalados pelas empresas que vendem produtos complexos e não commodities;
  • market-making: websites armazenados por um terceiro que habilita compradores e vendedores a interagirem e comprometerem-se comercialmente.

Na Construção Civil

Vem se tornando cada vez mais frequente a utilização de plataformas Online de serviços que auxiliam Construtoras e Fornecedores a realizarem negócios de forma estruturada, proporcionando redução de custos, maior eficiência operacional e transparência nas transações comerciais.

Esse tipo de recurso vem em alternativa ao sistema de cotação por telefone, fax e email, onde a construtora ou comprador envia uma lista de materiais, com seus quantitativos, e cobra um retorno com os orçamentos. Ou envia uma carta-convite ou solicitação de orçamento, para cotação de serviços. Esse processo demanda grande parcela de recursos, principalmente humano, na elaboração do processo, cobrança dos retornos, organização e compatibilização das informações recebidas e formatação nos moldes da empresa.

Os sistemas eletrônicos de compras corporativas promovem para Construturas a reduções nos preços de materiais, equipamentos e mão de obra; uma área Compras e Suprimentos mais produtiva e focada em negociações; o aumento da competitividade e dos ativos da empresa; a transparência nas negociações e redução de erros e falhas na comunicação.

Para os Compradores, há a eliminação de trabalhos burocráticos; a produção de mapas comparativos equalizados, negociações Online, emissão de pedidos e controle de recebimento de materiais; o aumento da produtividade e ganho de tempo para funções estratégicas de negociação.

Estratégias de Negócio com apoio de Indicadores

Indicadores

O desenvolvimento de um empreendimento imobiliário possui um ciclo longo, onde a etapa de produção (obra) pode alcançar prazos médios totais de 24 a 36 meses e as etapas anteriores, como licenciamentos e aprovações, podem demandar de 6 a 18 meses em média.

Esta característica expõe o empreendimento imobiliário a significativas variações como: legislação; cenários e políticas econômicas; padrões de consumo; eventos políticos, sociais e ambientais, etc.

Uma eficiente e necessária medida para reduzir os riscos e garantir o desempenho financeiro do empreendimento é a utilização de indicadores para análise de padrões e previsões de comportamento futuro. Para isso, as séries históricas nos trazem informações relevantes e ajudam na definição de cenários para estratégias de proteção aos riscos negativos e de aproveitamento de oportunidades.

Como exemplo de algumas situações onde estas informações são úteis, temos os seguintes cenários de tomada de decisão:

  • manter, antecipar ou postergar o lançamento do empreendimento;
  • alongar o prazo de execução com consequente redução da exposição mensal de caixa e aumento do custo fixo total ou ajustar a estratégia comercial (marketing e tabela de venda);
  • utilização de materiais importados (como aço, vidro, revestimentos, fios e cabos, etc);
  • definição do indicador a ser utilizado para reajuste contratual (clientes e fornecedores);
  • critério de reajuste contratual de prestadores de serviços, referente ao dissídio da categoria (composição de custos, saldos de contrato, etc).

Existem diversas situações onde a tomada de decisão pode impactar fortemente na saúde financeira do empreendimento, fato este agravado pela característica do negócio de possuir um ciclo longo como anteriormente comentado.

Os gráficos abaixo mostram as séries históricas dos seguintes indicadores: CUB-SC Médio Residencial, CUB-SC Médio Comercial, INCC-DI, SINAPI-SC Materiais, SINAPI-SC Mão de obra e Dólar, desde Março/2007 até Abril/2016.

O primeiro gráfico mostra os números acumulados dos índices e o segundo gráfico mostra a variação percentual mensal.

Serie Histórica Indicadores

Variação Indicadores

Estas informações combinadas com os fatores externos mais relevantes para o setor, ajudam o empreendedor a realizar seu planejamento para o desenvolvimento do empreendimento e estabelecer o Plano de Ação para os cenários que possam impactar no negócio.

A tomada de decisão feita de forma empírica ou considerando somente os fatores internos da empresa pode levá-la a sérias dificuldades financeiras, o que cria um cenário desafiador para novas decisões que necessitarão ser ainda mais estruturadas e divergentes das anteriormente adotadas.

Infelizmente é muito comum ouvir empresários justificarem suas decisões com expressões do tipo “…faço isso há mais de 20 anos e vem dando certo!”. Mesmo os gráficos mostrando apenas os últimos 9 anos, fica evidente a flutuação e a mudança de cenários. A falsa percepção de assertividade, usualmente correlacionada apenas ao saldo financeiro positivo, é muito frágil e a recondução da empresa a uma política estruturada de tomada de decisão sofrerá com o fator cultural e os falsos sucessos pretéritos.

Normalmente decisões empíricas são sucedidas de outras decisões emergenciais para correção (ou tentativa de correção) do andamento do empreendimento, necessárias devido a negligência dos fatores externos, provocando assim grande impacto no resultado final do empreendimento e saúde financeira da empresa.

Como ilustração deste cenário, temos duas situações simplificadas, porém que retratam muito bem a realidade do mercado, abaixo descritas:

  • situação 1: aporte total de capital de R$ 1milhão, prazo total de 18 meses e resultado financeiro final positivo de R$ 100mil.
  • situação 2: aporte total de capital de R$ 2,5 milhões, prazo total de 24 meses e resultado financeiro final positivo de R$100mil.

Em ambas as situações houve saldo positivo do mesmo valor e isso pode induzir erroneamente a avaliação de bom resultado, mas são cenários totalmente diferentes que impactam diretamente na rentabilidade e saúde financeira da empresa, podendo levar a sérias dificuldades de fluxo de caixa entre outras.

Custo de oportunidade não emite duplicata para apropriação como “despesa” nos relatórios gerenciais, mas cobra seu preço no futuro.

Veja como utilizar os indicadores nas Estratégias de Negócio e assim reduzir os riscos e aumentar a rentabilidade da sua empresa ou empreendimento, CLIQUE AQUI.

 

Fontes dos dados dos gráficos: IBGE, Sinduscon SC, Sinduscon PR, Dólar Hoje