BDI – Benefício e Despesas Indiretas

A construção civil possui uma particularidade em relação a outras indústrias: os orçamentos costumam ser detalhados item a item. Isso acontece porque além da modalidade de contratação a preço unitário, muitas vezes os projetos utilizados na fase de orçamentação não possuem detalhamento suficiente ou o local de execução da obra pode apresentar alguma característica não prevista no orçamento e resultar em variação das quantidades contratadas. Estando todos os itens quantificados e precificados, torna-se mais fácil a conferência e o pleito de readequação do orçamento, caso necessário.

Devido a essa necessidade de se obter o preço de venda de cada uma das atividades, foi criado um índice a ser aplicado diretamente sobre o custo para obtenção do preço final, o BDI – Benefício e Despesas Indiretas. Alguns autores referem-se ao “B” como Benefício outros como Bonificação, sendo apenas uma questão de semântica, e como o BDI sendo um índice/taxa ou percentual. A seguir temos dois exemplos:

Em termos práticos, o BDI é o percentual que deve ser aplicado sobre o custo direto dos itens da planilha da obra para se chegar ao preço de venda. (MATTOS, Aldo Dórea: 2006, pág. 235)

BDI é uma taxa que se adiciona ao custo de uma obra para cobrir as despesas indiretas que tem o construtor, mais o risco do empreendimento, as despesas financeiras incorridas, os tributos incidentes na operação, eventuais despesas de comercialização, o lucro do empreendedor e o seu resultado é fruto de uma operação matemática baseados em dados objetivos envolvidos em cada obra. (MAÇAHICO, Tisaka: 2004, pág. 2)

Semelhanças e Diferenças entre Margem e BDI

Usualmente utilizada no comércio, a MARGEM é o percentual acrescido ao valor de aquisição de um produto já pronto, industrializado ou não, para sua revenda futura. A margem deve cobrir todos os gastos do estabelecimento comercial, tais como: aluguel da loja, remuneração de vendedores, comissões, consumos de materiais de limpeza e de expediente, energia elétrica, água, telefone, etc., mais os tributos e o lucro.

Embora semelhantes em diversos aspectos no que concerne a natureza dos gastos, existe uma diferença fundamental entre eles que é a seguinte:

No comércio o produto está pronto para ser comercializado (entregue na loja e pode ser visto, tocado, experimentado, testado, etc.). Portanto o Custo Direto é o valor de compra do bem no atacado.

Na construção civil o produto a ser comercializado é para entrega futura, a partir da sua contratação, podendo levar meses ou anos para ser concluído e entregue. O seu desempenho e o nível de qualidade do produto dependem da experiência e qualificação da contratada. Soma-se a isso a necessidade da comprovação de experiência anterior, a presença permanente do engenheiro responsável registrado no CREA, a fiscalização do contratante, a constante oscilação no mercado de insumos e a influência de fatores imprevisíveis como chuvas, greves dos trabalhadores, mudanças drásticas no comportamento da economia, etc.

De maneira mais simples e objetiva, a margem se refere a um produto e o BDI a uma prestação de serviço.

Componentes e Fórmula do BDI

O BDI – Benefício e Despesas Indiretas é composto dos seguintes elementos:

– Despesas: são gastos que não fazem parte dos custos da obra, mas são necessários para sua execução. São basicamente despesas da administração da sede da empresa.

– Riscos, Imprevistos e Contingências: para cobrir riscos de eventuais incertezas decorrentes de omissão de serviços, memoriais descritivos incompletos, quantitativos irrealistas ou insuficientes, projetos mal feitos ou indefinidos, falta de sondagem e levantamento topográfico de terreno, contingências, modalidade de contratação, existência e cobertura de seguros, épocas de chuvas, etc.

– Despesa Financeira: para compensar a perda monetária referente à defasagem entre o momento do desembolso (gastos com a execução dos serviços) e o momento do recebimento do pagamento, que pode variar de alguns dias até meses após a medição dos serviços. Outros encargos financeiros também compõem este tipo de despesa, como: taxa de juros sobre retenção mensal sobre os faturamentos; e encargos pagos por caução de garantia ou aval bancário.

– Tributos: os impostos inclusos como despesa tributária, são aqueles que incidem sobre o faturamento, ou seja, sobre o preço de venda, pois os demais já foram considerados nos custos dos materiais, equipamentos e mão de obra.

– Marketing e Comercialização: despesas relacionadas à divulgação da empresa e participação de licitações, que devido à taxa de insucesso não podem ser alocadas como custos diretos. Como exemplo, temos: divulgação da empresa em revistas técnicas, anúncios e folder de apresentação; compra de editais, preparação de propostas técnicas, despesas cartoriais, cópias e plotagens; representante comercial, viagens e hospedagens; e promoção de eventos, brindes e contribuições beneficentes.

– Benefício/Lucro: nível de lucratividade almejado em um empreendimento, como remuneração financeira pela prestação do serviço. Como explanação mais completa sobre o assunto, temos:

Lucro ou Benefício é uma parcela destinada a remunerar o custo de oportunidade do capital aplicado, capacidade administrativa, gerencial e tecnológico adquirida ao longo de anos de experiência no ramo, responsabilidade pela administração do contrato e condução da obra através da estrutura organizacional da empresa e investimentos na formação profissional do seu pessoal e criar a capacidade de reinvestir no próprio negócio. (MAÇAHICO, Tisaka: 2011, pág. 66)

Para o cálculo do BDI, aplica-se a seguinte fórmula:

BDI1

Sendo:

i = taxa de Administração central (Despesa)

r = taxa de risco do empreendimento

f = taxa de despesa financeira

t = taxa de tributos federais

s = taxa de tributo municipal – ISS

c = taxa de despesa de comercialização

l = lucro ou remuneração líquida da empresa

A fórmula acima apresenta um resultado em termos percentuais, por exemplo: 21,32%, sendo esta a forma mais comumente utilizada nos softwares de orçamento e sistemas ERP – Enterprise Resource Planning.

Como citado anteriormente, o BDI pode ser expresso em termos percentuais ou como índice/taxa. Neste caso a fórmula adaptada para taxa seria:

BDI2

Esta fórmula apresenta um resultado em forma de índice, por exemplo: 1,2132, sendo utilizada como fator de multiplicação sobre o custo.

A escolha de qual fórmula utilizar fica a critério do orçamentista, da cultura ou diretriz técnica da empresa ou da adequação ao atendimento de nomenclatura específica do edital ou planilha disponibilizada para orçamentação.

No numerador estão as taxas de Despesas Indiretas que são função dos Custos Diretos. Portanto, não é possível obtermos as taxas de Despesas Indiretas sem conhecermos os Custos Diretos.

No denominador estão as taxas dos Tributos, de Despesas de Comercialização, do Lucro, que são função do Preço de Venda.

Como um parâmetro para avaliação dos valores a serem adotados pela empresa, podemos utilizar as seguintes referências:

– Administração Central (i), de 8 a 20%; Despesas Financeiras (f), 1,5%; Riscos e Incertezas (r), de 4 a 7%, conforme Dias, Paulo Roberto Vilela; Engenharia de Custos: Novo Conceito de BDI – 5ª. Ed.;

– Taxa de Comercialização (c), de 2 a 5%; Lucro (l), de 5 a 15%, conforme Tisaka, Maçahiko; Orçamento na construção civil : consultoria, projeto e execução.

Desbalanceamento

Nada obriga a empresa a aplicar o BDI linearmente, ou seja, o mesmo BDI para todos os custos do orçamento. Ela pode atribuir um BDI diferente para itens específicos da planilha orçamentária, de acordo com sua conveniência. A esse processo se dá o nome de desbalanceamento.

O desbalanceamento é utilizado como ajuste fino, onde avalia individualmente os itens da planilha orçamentária visando maior precisão e segurança na obtenção do preço final. Pode-se, por exemplo, usar um BDI mais elevado para compensar uma maior incerteza de um determinado insumo ou etapa da obra mais sensível a intempéries, ou um BDI menor para reduzir a incidência das despesas com administração central sobre atividades industrializadas e terceirizadas.

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Devo comprar meu imóvel agora?

Frequentemente, deparamo-nos com artigos de especialistas espalhados pela mídia em geral, sobre o momento adequado para compra de imóveis. O conteúdo desses artigos é pautado essencialmente em questões relativas à aquisição do imóvel como investimento, pois avalia se o valor está alto, seu potencial de valorização, expectativas de subida ou queda dos preços, liquidez e outros fatores característicos do mercado financeiro. Afinal, o foco é normalmente de um especialista financeiro.

Mas será essa a única vocação de um imóvel para ser avaliado apenas sobre esse aspecto?imovel

O imóvel é percebido como um investimento seguro, pois além de existir um bem como garantia, sua vida útil e prazo de avaliação são longos, o que proporciona uma boa proteção das oscilações de mercado e das épocas de crise.

Devemos lembrar que um imóvel não é construído com o objetivo de ser um investimento. Essa é apenas uma derivação do seu potencial devido ao seu uso final ser tão nobre e importante; ser o lar de uma família.

Por isso, o cidadão, casal ou família que buscam um lar, seja para formar e criar sua família com segurança e qualidade de vida ou para momentos de lazer, como um imóvel de praia, antes de avaliar como um negócio financeiro deve avaliá-lo como bem durável que é.

Aspectos como espaços internos, disposição dos cômodos, acabamentos, localização, infraestrutura e principalmente aquele sentimento de identificação e paixão pelo imóvel devem ser avaliados e priorizados, frente a qualquer fator de investimento. Afinal, vale a pena morar por vários anos em um lugar que não lhe agrada tanto apenas para ter (talvez) , um rendimento superior a algum índice de mercado, mas que para esse seja efetivado, seja necessário desfazer-se dele?

O benefício do imóvel ESTÁ NO SEU USO, e não somente no negócio financeiro que ele pode representar quando da sua venda.

Questões como valor justo, condições de pagamento e taxas devem sim ser avaliadas, mas somente após ter encontrado o imóvel ideal para você e sua família, e não como únicos parâmetros para decisão na aquisição. Mais vale pagar uma parcela até eventualmente um pouco maior, mas estar feliz e satisfeito com seu imóvel, do que uma parcela menor porém insatisfeito ou arrependido com a escolha. Neste caso, ela parecerá sempre cara demais.

Não devemos permitir que a busca sem fim pelo momento ideal de comprar o imóvel comprometa a qualidade de vida. Quem nunca deixou de fazer uma pequena reforma, melhoria ou decoração mais caprichada no imóvel porque era alugado e pensou que não valeria a pena gastar dinheiro com algo que não é seu?

Será que a satisfação em ter a casa do jeito que você quer e merece, bem como a sua família satisfeita, valem menos que algum percentual que talvez possa ganhar no futuro?
Um imóvel só é um bom investimento se for um bom lugar para morar. E, o mais importante: trate-o como sendo o lar de sua família, antes de ser um negócio para outra pessoa.

O momento certo para comprar seu imóvel é você quem decide!

 

EXPANSÃO + PLANEJAMENTO = ECONOMIA

Chega o momento em que a empresa precisa planejar sua expansão, seja por necessidade ou por oportunidade. E não esqueça: um bom planejamento pode render uma saudável ECONOMIA.

Quando a intenção de expandir sua empresa inicia, o empresário volta suas atenções para alguns pontos igualmente importantes, tais como: aquisição de máquinas e equipamentos, contratação e treinamento de equipes, estratégias de vendas e logística de distribuição adequada à nova capacidade planejada (sem paralisar a estrutura atual), e ainda precisa continuar resolvendo os desafios diários. Com tanta coisa a fazer, o empresário acaba deixando em segundo plano todo aspecto relacionado às instalações necessárias a essa expansão.

Existem duas possibilidades para as expansões, denominadas “greenfield” (construção nova) e “brownfield” (reforma ou ampliação de unidade existente), onde cada uma delas possui características e necessidades específicas que devem ser estudadas e avaliadas em conjunto com a estratégia de expansão da empresa.

A falta de uma correta especificação técnica e respectivo planejamento, podem causar enormes prejuízos à empresa; seja pelo atraso na conclusão da obra e consequente comprometimento da produção e do faturamento, seja pelo aumento dos custos devido a retrabalhos e baixa margem de ganho na negociação dos insumos.

As contratações e aquisições quando planejadas e realizadas adequadamente, podem gerar uma economia de até 30% em comparação a compras e contratações emergenciais ou com especificações inadequadas.

Como então o empresário deve agir para prevenir essa situação? Como garantir que os prazos do plano de expansão sejam atendidos e que os custos fiquem dentro do previsto?

É importante a empresa se dedicar à definição das necessidades e objetivos, buscando uma assessoria técnica capacitada e percebendo que qualquer falha ou desatenção na construção pode gerar uma operação ineficiente ou inadequada, até a próxima intervenção que certamente demandará recursos adicionais.

Três fatores tem impacto direto no sucesso da execução da expansão: tempo, custo e qualidade.

Tempo
Planejar corretamente e destinar o tempo adequado a cada etapa. A urgência possui um alto custo devido a turnos extras de trabalho, disponibilidade de equipamentos, restrições de fornecedores capacitados a atender o prazo exíguo, aumento de efetivo específico para um determinado projeto, custo de oportunidade frente a outras atividades, dentre outros. Iniciar o mais breve possível não é garantia de execução rápida nem de atender o prazo. Afinal, muitas vezes um início mal planejado e atropelado compromete todo o andamento. No fator tempo, não só o prazo é importante, mas também a época; pois realizar serviços de fundação ou de cobertura na época de maior incidência de chuvas traz grande impacto ao prazo do empreendimento. Outras épocas podem impactar, como férias escolares, feriados, épocas de colheita, eventos especiais, tudo dependendo do porte e localização da obra e das demais empresas envolvidas.

Custo
Este fator é o mais claramente percebido, pois impacta diretamente nos outros dois. O planejamento e capacidade financeira da empresa devem ser compatibilizados com a execução, evitando assim paralisações indesejadas ou baixa produtividade. Outro aspecto importante deste fator é preservar a relação dos recursos disponíveis para a totalidade do projeto. Economizar nos materiais das instalações para garantir um mobiliário de luxo, por exemplo, pode causar grandes transtornos e prejuízos para a empresa. O uso de linhas de financiamento e liberações de recursos condicionados e evolução da obra, devem ter uma atenção e condução próprias.

Qualidade
Este fator possui dois enfoques: o que fazer e como fazer. Normalmente o “como fazer” é relativamente bem controlado através das inspeções e conferência de recebimento de serviços, mas os principais problemas enfrentados são relativos ao “o que fazer”. Uma correta e completa definição do escopo, dos materiais e sistemas construtivos e de funcionamento, compreendidos nos projetos e memoriais vão definir as formas de contratação, de aquisições e a condução da execução. Uma receita para grandes problemas de execução é contratar a empresa executora com os projetos incompletos, o que infelizmente é o mais comum de acontecer. Destaca-se a grande importância da elaboração dos projetos de todas as disciplinas necessárias e a compatibilização entre eles. Questões como acessos, interferências com instalações existentes, infraestrutura disponível e outros fatores, devem ser identificados e constar dos planos de trabalho. Resolver na hora de executar custa muito mais caro, leva mais tempo e dificilmente a solução adotada será tão eficiente quanto a projetada previamente.

Tão importante quanto estes fatores é a correta gestão na fase em implantação, a execução da obra propriamente dita. Uma gestão profissional e tecnicamente capacitada visa garantir que sejam observadas todas as definições e diretrizes estabelecidas na fase de planejamento, atuando através do monitoramento e controle, e adotando as medidas necessárias à realização das atividades.

Um relatório da BNAmericas, através de sua equipe Project Risk Analytics, verificou que os 100 principais projetos realizados na América Latina tiveram aumentos de 55% em seus orçamentos originais. Este aumento de custo se concentrou em 51 projetos, dos quais 31 haviam registrado mudanças de mais de 40% frente suas estimativas originais. O atraso médio foi de 45%, com um máximo de 62%, e um sobrepreço médio de 63%, com um máximo de 115%.

Segundo o estudo, a gestão financeira aparece como o fator mais citado na hora de se incrementar as previsões orçamentárias. Neste âmbito, podem-se considerar aspectos como a inflação ou erros de confecção do orçamento, ou ainda dificuldades em receber pagamentos oportunamente.

Fatores ligados ao projeto foram a segunda opção mais mencionada, o que envolve casos de mudança no alcance dos projetos ou redesenho de alguns de seus aspectos durante a execução.

Em terceiro lugar estaria a mão de obra, onde se incluem os conflitos trabalhistas, greves e as dificuldades de se encontrar pessoal especializado. Também foram mencionados como responsáveis pelos excessos nos gastos alguns fatores externos, como problemas ambientais, licenciamentos, e as relações com as comunidades locais.

O aspecto positivo é que, se de 100 projetos, 51 apresentaram variação de prazo e custo, significa que outros 49 foram realizados dentro dos padrões previstos. Portanto, é possível sim realizar empreendimentos dentro do prazo e custo planejados, desde que desenvolvidos e acompanhados por profissionais capacitados.

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