Quem precisa de projeto?

Você compraria alguma coisa que não precisa nem vai usar para nada?

Se sua resposta for não, então você não deve contratar a elaboração de um projeto, seja de arquitetura ou de engenharia.

Ao mesmo tempo em que esta resposta possa parecer estranha, ainda mais vinda de um engenheiro, ela é totalmente lógica. Afinal, qual o objetivo em se investir em algo que não precisamos nem terá qualquer serventia para nós?

Para explicar melhor essa resposta, antes é preciso entender o que é um projeto.

Basicamente o projeto é uma instrução técnica para construção ou fabricação de algo. Sua correta utilização depende de conhecimento específico para adequada leitura e utilização no processo de produção a que se destina. Assim, o projeto é um meio para um final específico e não um produto final em si.

Por acaso alguém já contratou um projeto com o simples objetivo de contempla-lo? Fixá-lo na parede e admirar, mostrar para os amigos e guardar de recordação? Acho muito pouco provável este ser o objetivo inicial.

Os arquitetos e engenheiros possuem qualificação e experiência em resolver problemas e atender necessidades, de forma criativa, funcional, segura e eficiente.

Quando se busca esses profissionais o foco deve ser na sua real necessidade, interesses e expectativas, seja para construir ou reformar seu apartamento, casa de praia, loja ou qualquer outro tipo de imóvel.

São os profissionais que têm a missão de avaliar todos estes fatores e compatibilizar com os requisitos legais, técnicos, funcionais, critérios de uso e manutenção, segurança, desempenho e ainda resolver de forma eficiente e eficaz os desafios encontrados. A componente artística sempre estará presente, onde nos projetos de arquitetura ela é mais externa e por isso mais facilmente percebida e nos projetos de engenharia elas são internas, relacionadas às soluções adotadas.

Desta forma, seu objetivo deve ser contratar uma solução e passar para o profissional, de maneira clara e mais completa possível, todas as suas necessidades e interesses para que este possa desenvolver a solução adequada. Só então o profissional poderá traduzir isso tudo em um conjunto de projetos que posteriormente serão usados por outros profissionais para materializar (construir) a solução desenvolvida.

Esse mesmo conceito vale para as aprovações e legalizações. Este não deve ser o objetivo principal, visto que os profissionais tem a obrigação de atender a legislação e as normas técnicas. Assim, uma solução desenvolvida para atender todas as suas necessidades, certamente será aprovada e legalizada, já o inverso é receita para uma grande frustração futura, pois pode gerar um imóvel aprovado que não atende suas necessidades.

Numa comparação simplificada, você vai ao médico com o objetivo de conseguir uma receita ou curar uma doença?

O projeto, apesar de ser um produto, é necessário e será usado por quem for construir ou reformar o imóvel e não pelo contratante. Este se beneficiará da solução desenvolvida pelos profissionais quando a etapa de produção estiver concluída e seu objetivo finalmente atendido.

 

Artigo publico no Notícias Vale do Itajaí.

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